Ano: 1999
Título:
BIODEGRADAÇÃO DE EUCALYPTUS GRANDIS PELO FUNGO DE DECOMPOSIÇÃO BRANCA CERIPORIOPSIS SUBVERMISPORA: ASPECTOS QUÍMICOS E BIOQUÍMICOS
Autor: LEAL, Ana Maria Córdova
Orientador: André Luís Ferraz
Banca
Examinadora:
Adriane Maria Ferreira Milagres André Ribeiro Cotrim
Resumo: Neste estudo foram avaliadas as mudanças químicas e bioquímicas ocorridas durante a biodegradação de madeira de E. grandis pelo fungo C. subvermispora durante 15, 30, 60 e 90 dias. A análise química das madeiras controle e tratadas mostrou que a perda de peso aumentou em função do tempo, alcançando um máximo de 11,7% aos 90 dias. As perdas de glucana, hemicelulose e lignina foram 7,3, 21,6 e 27% respectivamente, mostrando que o fungo é seletivo para lignina. As perdas de peso, lignina e hemicelulose aumentaram rapidamente até os 60 dias tendendo a estabilizar-se depois deste período. A perda de extrativos foi proporcional ao tempo de biodegradação alcançando 42% aos 90 dias. A máxima atividade de lacase foi detectada aos 30 dias (12,6 UI totais), enquanto a atividade de peroxidase manteve-se constante (4 UI totais) durante o período de biodegradação. A enzima hidrolítica que apresentou maior atividade durante a biodegradação foi a xilanase (960 UI totais). A atividade de b -glicosidase foi de 26 UI totais, sendo constante durante todo o período de biodegradação. A atividade de celulase foi baixa em comparação a atividade de xilanase, sendo a máxima atividade detectada aos 30 dias (40 UI totais). Os aumentos significativos nas perdas de hemicelulose e lignina (60 e 90 dias) ocorreram posteriormente ao aumento na produção das enzimas. A perda de polissacarídeos foi proporcional a atividade de enzimas hidrolíticas produzidas durante a biodegradação de E. grandis. O teor de holocelulose das madeiras estudadas permaneceu praticamente constante ao longo da biodegradação, mas a perda de viscosidade depois dos 30 dias (30%) indicou um certo grau de despolimerização. As análise de a -celulose mostraram que a perda de glucana não reflete totalmente o efeito do fungo na celulose durante os primeiros dias de tratamento e que o fungo C. subvermispora despolimerizaria parte da celulose para depois começar a degradar os oligômeros formados. Os estudos de acidólise e oxidação das madeiras mostraram que, depois de 30 dias, a ação do fungo provocou mudanças nos polímeros o que facilitaria a interação com regentes aumentando os rendimentos da reação. Os resultados obtidos por oxidação com óxido de cobre, mostraram que depois de 30 dias de tratamento as unidades guaiacil (G) e siringil (S) diminuíram, porém a relação G/S não apresentou mudanças em função do tempo de biodegradação. As madeiras controle e biodegradadas foram analisadas por espectroscopia FTIR de reflexão difusa. Os espectros de infravermelho da lignina foram obtidos pela diferença dos espectros de madeira e holocelulose. O perfil dos espectros de infravermelho da lignina variam em função do tempo de biodegradação de uma lignina GS3 para uma do tipo HGS.

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