PROVA - LÍNGUA PORTUGUESA- VESTIBULAR -2004 (VUNESP) Pag.5

23. A conjunção pois em - Você muito ditoso,/Sabe lê, sabe escrevê,/Pois vá cantando o seu gozo - apresenta valor:

(A) conclusivo.

(B) aditivo.

(C) adversativo.

(D) alternativo.

(E) condicional.

24. O trecho - Eu não posso lhe inveja/ Nem você invejá eu -segundo a norma padrão culta do português brasileiro, séria grafado da seguinte maneira:

A) Su não posso lhe invejar/Nem você me invejar.

(B) Eu não posso invejar-lhe/Nem você invejar-me.

(C) Eu não posso invejá-lo/Nem você me invejar.

(D) Eu não posso invejar-te/Nem você invejar-me.

(E) Eu não posso te invejar/Nem você me invejar.


25. Se reescrevermos o segundo e o terceiro versos inserindo vírgula depois de cidade e sertão, assim: Cante e cidade, que é sua/Que eu canto o sertão, que é meu.,

(A) alteraremos o sentido dos versos e introduziremos um erro, pois não se deve separar o termo descrito de sua descrição por vírgulas.

(B) não alteraremos o sentido original dos versos, apenas reproduziremos pausas próprias da fala, o que é mais apropriado para esse tipo de texto.

(C) não alteraremos o sentido dos versos, pois as vírgulas não interferirão na relação de posse estabelecida entre cidade, campo e seus donos.

(D) alteraremos seu sentido, pois as orações "que é sua "e que é meu" passarão de orações adjetivas restritivas a explicativas.

(E) não alteraremos seu sentido, pois a cidade será caracterizada por pertencer ao poeta urbano e o sentido de sertão também ficará restrito a seu dono, o eu-lírico.


Leia as duas estrofes transcritas de um soneto de Gregório de Matos para responder às questões de numeros 26 e 27.

Goza, goza da flor a mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh não aguardes que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

 


26. Uma característica própria do Barroco, presente nestes versos, é

(A) a personificação da Natureza, único espaço em que o Belo pode ser observado, ainda que seja suscetível à ação do tempo.

(B) o uso de metáforas a partir de elementos da Natureza,o que se percebe com a imagem da flor representando o Belo e a juventude.

(C) a consciência da efermidade da vida, expressa na oposição entre idéias relativas à juventude, à velhice, à vida e à morte.

(D) o constraste ente o teocentrismo e o antropocentrismo, expresso na oposição entre o Belo, contido na imagem da flor, e o nada.

(E) A tensão ente a beleza espiritual a beleza material, sugerida pela ação do tempo sobre o corpo na imagem da beleza passageira da flor.

27. Considerando as formas verbais goza e (não) aguardes empregadas no texto, é certo afirmar que o poema apresenta um tom

(A) narrativo.

(B) descritivo.

(C) melancólico.

(D) hiperbólico.

(E) imperativo.

28. Assinale a alternativo que apresente a estofe de um poema simbolista.

(A) Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!

(B) Mais claro e fino do que as finas pratas
O som da tua voz deliciava...
Na dolência velada das sonatas
Como um perfume a tudo perfumava.

(C) Para me ver chegar,
os sobrados e as igrejas
subiram nos teus montes e me espiam
de cima com os olhos das janelas acesas.

(D) Vai-se a primeira romba despertada...
Vai-se oufra mais... mais outras... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüínea e fresca a madrugada.

(E) Andei pelo mundo no meio dos homens:
uns compravam jóias, uns compravam pão.
Não houve mercado nem mercadoria
que seduzisse a minha vaga mão.
Responda às questões de números 29 e 30 a partir da leitura do poema de Ricardo Reis.


Quer pouco: terás tudo
Quer nada: serás livre
O mesmo amor que tenham
Por nós, quer-nos, oprime-nos.


29. É lícito afirmar que esses versos de Ricardo Reis apresentam como idéias incompatíveis:

(A) desejo e opressão.

(B) Pouco de tudo.

(C) amor e liberdade.

(D) ter e querer.

(E) amor e opressão.


30. Ricardo Reis difere dos demais heterônimos de Fernando Pessoa, principalmente, por

(A) buscar o equilíbrio através da razão e do desprendimento.

(3) sua personalidade oprimida pelos avanços tecnológicos.

(C) negar a existência da fatalidade, valorizando o livre arbítrio.

(D) ser o mais passional, valorizando as sensações ao extremo.

(E) pregar que a ignorância é o caminho mais curto para a felicidade.

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